| Arte Germânica - Bárbaro Talento |
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| História da Arte | |
| Escrito por Raí T. Rio | |
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A Arte Germânica ou Arte Bárbara faz referência à arte dos povos conhecidos genericamente como bárbaros (mongóis, vândalos, alanos, francos, germânicos e suecos entre outros) que, depois da queda do Império Romano, avançaram definitivamente sobre a Europa, mergulhando o continente num dos períodos históricos mais obscuros, a meio caminho entre a religiosidade, - agora em parte aceita - dos primeiros cristãos e a beligerância selvagem dos novos senhores. Mais tarde, a Europa também sofreu o açoite dos vikings dinamarqueses vindos do norte, em perpétua luta contra os francos e os eslavos ocidentais. Em suas crônicas, os romanos os descrevem como temíveis guerreiros e hábeis fundidores de metais. Esses grupos, essencialmente nômades, não demoraram a assimilar a cultura e a religião dos povos conquistados, ao mesmo tempo que lhes transmitiam seus próprios traços culturais. Esta troca deu origem a uma arte completamente diferente, que assentou as bases para a arte européia dos séculos VIII e IX, promovendo a organização de artistas e artesãos em oficinas supervisionadas pela Igreja, origem das corporações de ofício que perdurariam por quase mil anos.
![]() O fato dos povos bárbaros não possuírem um habitat fixo, influenciou fortemente os seus costumes e as suas expressões artísticas. Assim, como povos nômades, desenvolveram uma grande destreza na confecção de objetos facilmente transportáveis, fossem eles de luxo ou utilitários. Deste modo destacaram-se na ourivesaria, na fundição e moldagem de metais, tanto para a fabricação de armas como na fabricação de jóias, como braceletes, colares, anéis etc. Também se destacaram nas técnicas de decoração, como a tauxia ou damasquinagem, a entalhadura (arte de cortar ou entalhar a madeira) e a filigrana (trabalho ornamental feito de fios muito finos e pequeninas bolas de metal soldadas de forma a compor um desenho). Os desenhos decorativos destas peças, baseavam-se em animais estilizados e em motivos geométricos, principalmente, a roda e a cruz. Os bábaros não se dedicaram ao desenho da figura humana, como outros povos em suas artes.
ARQUITETURA - Arte Incorporada Fato histórico: toda vez que um povo culturalmente bem desenvolvido conquistou um outro que lhe era superior nesse campo, o vencedor acabou assimilando a arte e a língua do vencido. Os bárbaros não fugiram à regra. Quase desprovidos de arquitetura, os bárbaros apropriaram-se das formas da Antiguidade e da arte Bizantina, às quais acrescentaram alguns elementos próprios. Os francos (França) usaram nas suas construções salas retangulares de três naves e absidesemisircular, com silharia de madeira para as igrejas, e cúpula para os batistérios; os ostrogodos (Itália) ergueram edifícios mais representativos e ricamente decorados com pinturas a fresco e mosaicos, nos quais combinaram as formas bizantinas com as romanas; os visigodos (Península Ibérica) procederam à recuperação de edifícios romanos nos centros de cada cidade, aos quais juntavam uma igreja cristã, geralmente de planta em forma de cruz latina, com naves de alturas diferentes e decoradas com relevos e frisos. Os celtas e vikings resistiram mais às formas mediterrâneas. No entanto, graças à presença dos numerosos mosteiros, a arquitetura e as artes acabaram sendo favorecidas. Misturando pedra com madeira, construíram igrejas com telhados de pedra de duas águas, ladeados por torres cilíndricas, também de pedra, que lembram seus monumentos funerários. Com respeito à arquitetura profana, os bárbaros do norte preferiram continuar construindo suas fortalezas de madeira e barro, circundadas por paredes circulares e fosso.
ESCULTURA - Marcas Bárbaras A escultura germânica em pedra foi destinada à decoração de igrejas e batistérios, na forma de relevos planos e sarcófagos, seguindo o estilo do Império Romano. A entalhadura do marfim não foi menos importante. Continuou-se com a tradição dos dípticos consulares de Bizâncio, cujas formas foram adotadas na confecção de capas de livros evangélicos e Bíblias. Sabe-se que as oficinas dos artesãos que trabalhavam com marfim eram numerosas tanto na Gália quanto na Península Itálica, devido à grande demanda de exemplares. A experiência de celtas e escitas como ourives inegavelmente estava ligada à sua experiência como entalhadores. As pedras com entalhes de runas e ídolos nórdicos entre os vikings, saxões e os próprios celtas, mostram sua passagem pelos diferentes assentamentos e lugares conquistados. Na Península Ibérica, a fusão de culturas, como entre fenícios, celtas, visigodos e ibéricos, além de gregos e romanos, deixou importantes amostras de escultura, como os Touros de Guisando ou a Dama de Elche.
OURIVESSARIA - Talento e Beleza
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